Deveria existir um grupo de encontro para pseudo escritoras que retiram a inspiração em domingos tediosos. SÉRIO, SERIA SENSACIONAL. Parece que justamente no dia mais morto da semana a gente incorpara Machado de Assis, e eu tenho certeza que não sou a única, afinal convenhamos, se você gosta de escrever e não costuma sair muito no domingo... Você VAI escrever. É involuntário.
Hoje o tempo tá propício pra escrever e ler. Climazinho fresco, brisa leve e um céuzinho pálido que pede para ser admirado enquanto os olhos tiram uma folga das páginas do livro.
Confesso que eu tô sentindo falta disso.
"Aposentei" meus dedos da escrita já tem uns três anos e não sei exatamente o porquê disso, talvez por ter encontrado uma outra válvula de escape para as minhas frustrações.
Frustrações.
É quase um pecado relacionar algo tão maravilhoso, a escrita, diretamente e unicamente com frustração, como se não existisse outro sentimento ou motivo que levasse a escrever.
Bom, caro leitor ou leitora, tenha em mente que eu desde pequena descarregava minhas emoções nas palavras, desde as grandes às pequenas emoções, de um modo em geral eram basicamente frustrações, afinal felicidade a gente despeja na cara das pessoas de qualquer forma, até mesmo escrevendo, frustração não. A gente não quer compartilhar frustração, a gente quer ser livrar dela.
Mas então, tentando recuperar meu raciocínio anterior e relacionar de alguma forma com o título dessa postagem eu lhes digo que: sim, eu sinto falta dos meus domingos tediosos e calmos, com os olhos colados nos meus melhores romances paranormais e me entupindo de glúten.
Já repeti que sinto falta disso, mas não disse o porquê sinto falta. Digamos que eu tô numa vibe onde minha única distração se basta em três palavras: sair, beber e pessoas.
Sair é bom, beber é sensacional e com pessoas agradáveis então é maravilhoso. Mas só isso não basta. Eu percebi recentemente que essa rotina me faz perder uma certa parte de mim, a parte singular. A parte que se basta. A parte que não precisa de x e y pra se bastar. A parte que sai do quarto e vai pro sofá reclamar da programação da tv no domingo. A parte que assiste o programa do Faustão e diz que até jogar bingo com a vó é mais interessante. (nada contra jogar bingo com as vovós, espero que a terceira idade não conspire contra mim e piche meu portão por esse comentário, na verdade espero que minha vó não faça isso, até porque nós jogamos dominó vovó, dominó! Nada de bingo).
A parte que vai adiantar o trabalho da faculdade mas acaba lendo uma biografia do Ringo.
Sim, o Ringo dos Bitous.
Indo direto ao ponto, eu sinto falta dos meus domingos com atenção voltada somente a mim e as minhas peculiaridades. Ás minhas coisas pacatas. Sinto falta de comer um livro em 4 horas ou de assistir um documentário pra ficar expelindo cultura e informação por uns dois dias seguido no ouvido dos amigos.
Domingo é o dia de recuperar ou de renovar seus hábitos.
Badernar em companhia é uma das melhores coisas que já inventaram no mundo, mas o mundo é tão vasto. Vasto a ponto de exigir que você tenha outras doses na vida. Doses de livro em casa, de reclamar do Faustão, de plantar uma árvore, de assistir os clássicos da Disney, de respirar cultura, de reproduzir informação.
Seja produtivo.

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